A Nina é muito boa escritora. Apaixonada, emancipada, iconoclasta. É dessas, como me disse no twitter.
Texto retirado de seu blog.
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Eu, como sempre, ilusória libertária, jeune fille rangée, inventei de esboçar um histórico breve de minha vida amorosa que se traduz em uma descrição muito boa do escritor António Lobo Antunes sobre mulheres e seus cigarros, e eu, apesar de não fumar, me encaixo na descrição da mulher que mantém com os homens “relações ao mesmo tempo emancipadas e iconoclastas”, em que “sofre por cantores feios de intervenção” – o que significa dizer que sim: eu quero casar, ter filhos, casa azul com varanda, estilo colonial, fazer a janta ouvindo Roberto Carlos no rádio, enfim – esse ideal medíocre e burguês, utópico deveras que atinge as massas. Mas acontece que o máximo que consigo disso tudo é coquetear com metade do universo, porque eu gosto de pessoas: não importa a idade, tipo físico, orientação sexual, modos de vestir (e usar), se são vegetarianos e gostam de histórias em quadrinhos já perto dos trinta, se cursam Administração ou Filosofia, se estão aposentados, se são casados, se já possuem netos. Eu gosto de ir para a cama com essas pessoas e fazer nada – só deitar, conversar, conhecer, puxar o cabelo, virar e dormir. Eu gosto de ser o mais íntima possível das pessoas, sem receios, sem esperar absolutamente nada, sem cobranças. E penso mesmo que isso não faz de mim “uma qualquer”, pois a ternura que divido com aqueles que durmo fora conquistada através do respeito, da confiança, da amizade. A minha visão das relações humanas é absurdamente grega, eu sei. Talvez um pouco bíblica. Ou completamente demoníaca, nabokoviana.
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A história continua...
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