Briguei.
No trabalho. Pelo telefone. Na rua, aos berros. No bar, aos gritos.
As pessoas veem você brigando e nunca encostam. Olham de soslaio. Fingem até que nunca te viram. Mas sabem de cada pedacinho da briga se alguém perguntar. Se você chora, os menos chegados nunca veem. Depois comentam: você chorou. Mas ninguém ofereceu um abraço, nem um ombro.
Eu brigo mesmo. Da minha natureza animalesca.
Pra que guardar os gritos que me adoecem?
As perguntas não feitas que me corroem?
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