quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Azia

Ontem no final da tarde, arrumei motivos pra ir a rua. Paguei 2 contas, toda emperiquitada, de saia de tule e blusa branca. Aí a azia deu as caras, logo eu que nunca tive dessas coisas, mas meu emocional anda abalado, e eu segui. Fui na cafeteria da cidade, sentei-me. Peguei o telefone. O intuito era ligar pra quem andava tirando o meu sono dos ultimos meses, mas desisti. Bebi capuccino de chocolate. E ainda doida de vontade, levantei-me e rumei em direção a minha própria casa, com o telefone nas mãos: nem ligava nem desistia. Em casa, meu refúgio, consegui me desvencilhar de meu medo e disquei seu número que eu não tenho mais na agenda, mas sei de cor. Você não atendia, e achei que era abusar da coragem, ligar de novo. A azia cedeu. A ideia que me vinha a cabeça: todo carnaval tem seu fim. Acho que é isso. Não vou aqui me arrepender da enxurrada de mensagens de texto que mandei pra você em abril/maio. Mandei. Talvez tivesse sido melhor, manter a dignidade e te ignorar, mas eu quis demonstrar, mesmo que da pior forma, ou da mais irritante, uma parte dos meus quereres. Vou acreditar que Deus não me quer em seus braços. Que seja de qualquer outro, menos nos seus! Você, que além de tudo é um reacionário de direita, e isso daria pano p conversas e/ou discussões sem fim. Você, que de alguma forma me diz em silêncio, que merece mulher melhor que eu. Mas essa, meu bem, você não vai achar nunca, e irá vagar solteiro por muitos anos ainda, ou embarcará em relacionamentos infelizes, porque você não cedeu a quem era de direito. Vários motivos, várias questões. Você me virou a cabeça, e eu não deixarei mais que a minha loucura por você seja motivo de eu voltar a ter azia. Devolve meu livro. 


[Esse texto contém pitadas de esperança]

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